Poesias

MINHA MÃE

Há dez anos minha mãe passou pela transição.
Sua vida foi sofrida.
Perdeu o pai ainda jovem e aos quinze anos, sua mãe arranjou o casamento com meu pai, sete anos mais velho. Aos dezesseis anos foi mãe e aos vinte já tinha três filhos.
Minha mãe era muito dedicada aos filhos e não tinha preguiça de deitar no chão para brincar e entre as brincadeiras: pulava sapata, jogava bolinha de gude, cinco marias e caçador.
Dona Tereza se dedicava muito aos filhos e seu Zé era um complemento do casamento.
Quando seus filhos sofriam, ela sofria mais.
Aos vinte e nove assistiu minhas queimaduras e parada cardíaca e não me abandonou em um único momento. Aos trinta e seis perdeu seu filho mais velho em acidente de carro, em um Domingo de Páscoa e desde então, nunca mais foi a mesma. Sua tristeza foi profunda e só aliviou quando nasceu seu neto mais velho, dando a ela certo alento.
Eu e meus dois irmãos éramos sua realização e ao todo teve cinco netos e dois bisnetos a quem conheceu, mas outros bisnetos só conseguiu ver através do plano espiritual. Sua vida era servir aos seus.
Minha mãe era uma mulher forte, ariana, decidida, teimosa e de gênio forte (meu pai que o diga), pois não deixava de fazer algo porque alguém não gostava. Ela impunha regras aos filhos, mas também oferecia amor, carinho e compreensão.
Seu casamento com meu pai durou mais de cinquenta e quatro anos e depois da partida dele, ela seguiu a vida por mais quatro anos e mesmo limitada por um derrame, que deixou sérias sequelas, levava a vida. Vida limitada, mas não menos determinada.
Depois de minha separação, convivi com ela por mais dois anos, onde sinto que resgatei meu carma e cuidei dela em seus dias finais.
Sei que muitas mulheres pelo mundo afora foram fortes e guerreiras como ela, mas ela é ÚNICA para mim, pois é MINHA MÃE.

Neida Rocha
07/05/2021

 

 

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